
The Verge e a lista do verão: o que está IN e OUT em 2026
Todo ano, quando o verão do hemisfério norte chega, a redação do The Verge para tudo e faz uma coisa muito pouco tecnológica: senta junto para decidir o que está na moda e o que ficou para trás. A lista anual 'in and out' do portal virou uma tradição que mistura crítica cultural, humor ácido e opiniões bem pessoais sobre tecnologia, comportamento e entretenimento.
Em 3 de julho de 2026, o portal publicou mais uma edição da lista, assinada pela jornalista Mia Sato. A publicação gerou 42 comentários dos leitores, o que indica que o assunto mexe com a audiência do veículo.
Uma tradição que já dura vários anos
A ideia não é nova. O The Verge vem compilando essas listas há alguns anos, e cada edição funciona como um retrato do momento: o que a comunidade tech está abraçando, o que está descartando e, às vezes, o que está no meio-termo entre os dois extremos.
O formato é simples: cada membro da equipe editorial monta sua própria tabela com itens 'IN' e 'OUT'. Não há votação, não há consenso obrigatório.
O resultado é uma colagem de perspectivas que vai de críticas sérias à indústria de tecnologia até preferências pessoais completamente subjetivas, como trocar o metrô de Nova York pelo ferry por causa do calor.
Essa pluralidade é justamente o que torna a lista interessante. Ela não representa a voz oficial do veículo, mas sim a soma de opiniões individuais de pessoas que trabalham diariamente cobrindo o setor.
O que a edição de 2026 revela sobre o momento atual
A lista deste ano reflete o clima de saturação com inteligência artificial. Vários membros da equipe posicionaram produtos e comportamentos ligados à IA no campo 'OUT', enquanto alternativas mais analógicas ou humanas foram para o 'IN'.
Hayden Field, repórter sênior de IA do veículo, colocou 'usar IA para redigir cartas ao seu locador' como IN, mas 'usar IA para redigir mensagens de término de relacionamento ou qualquer coisa pessoal' como OUT. A distinção é precisa: tarefas burocráticas, tudo bem; intimidade delegada a um modelo de linguagem, não.
Marina Galperina, editora sênior de tecnologia, foi ainda mais direta. Para ela, 'efeitos práticos' estão IN, enquanto 'IA generativa em filmes' está OUT. Ela também colocou 'webrings' como IN e o X, antigo Twitter, como OUT. Webrings são listas de sites interligados que eram populares nos anos 1990 e início dos anos 2000, antes das redes sociais dominarem a navegação na internet.
A nostalgia pelo pré-algorítmico aparece em vários itens da lista. Victoria Song, que se apresenta como 'revisora sênior de distopias' do portal, colocou 'escrever em um diário analógico' como IN e 'wearables de IA que gravam tudo o que você faz' como OUT.
Óculos que dividem opiniões
Um dos contrastes da lista envolve óculos conectados. Mia Sato colocou 'óculos para enjoo de movimento' como IN e 'óculos de IA pervertidos' como OUT. Meredith Haggerty, editora, foi na mesma direção ao colocar os óculos Meta da Kylie Jenner como OUT.
Os óculos de IA com câmera embutida, como os Ray-Ban Meta, geraram debates intensos sobre privacidade desde o lançamento. A preocupação é real: usuários relataram situações em que pessoas ao redor não sabiam que estavam sendo filmadas ou fotografadas.
Já os óculos para enjoo de movimento são um produto bem diferente: lentes com líquido colorido que reequilibram a percepção visual e reduzem o mal-estar em veículos. Nada de câmera, nada de IA.
Proteína fora, fibra dentro
Nem tudo na lista é sobre tecnologia. Mia Sato colocou 'fibra' como IN e 'proteína' como OUT, numa referência clara à obsessão recente com consumo de proteína que dominou redes sociais e influenciadores de saúde.
Victoria Song seguiu na linha da saúde com escolhas igualmente provocativas: 'vitaminas dos Flintstones' como IN e 'peptídeos do mercado cinza' como OUT. Ela também colocou 'hidratante de farmácia' como IN e 'looksmaxxing' como OUT.
O termo looksmaxxing se refere a uma prática disseminada online de otimizar a aparência física ao extremo, frequentemente associada a comunidades masculinas em fóruns e redes sociais.
A mesma editora encerrou sua tabela com dois itens que chamam atenção pela franqueza: 'aceitar que todos vamos morrer' como IN e 'o que quer que Bryan Johnson esteja fazendo' como OUT. Bryan Johnson é o empresário americano conhecido por gastar milhões de dólares por ano em protocolos antienvelhecimento.
Política e entretenimento no mesmo pacote
Liz Lopatto, que se apresenta como 'datilógrafa sênior da internet', entregou a tabela mais longa e politicamente carregada. Ela repetiu 'guerra inconstitucional com o Irã' e 'cessar-fogo' várias vezes, alternando entre IN e OUT de forma que claramente ironiza a instabilidade das notícias internacionais.
No campo do entretenimento, ela colocou 'McCartney II' como IN e Taylor Swift como OUT, além de colocar a Copa do Mundo como IN e os copos Owala e outros 'copos de adulto com tampa' como OUT.
Kevin McShane, diretor editorial de áudio e vídeo, defendeu 'um único arquivo de texto simples' como IN contra 'programar seu próprio aplicativo de tarefas com vibecoding' como OUT. Vibecoding é um termo recente para descrever a prática de usar IA generativa para escrever código sem entender o que está sendo gerado.
Mercado refurbished e privacidade no e-mail
Kevin Nguyen, editor-adjunto, fez escolhas que tocam em debates práticos do consumidor de tecnologia. Ele colocou 'comprar dispositivos recondicionados' como IN e 'comprar dispositivos novos' como OUT. Também colocou o Proton Mail como IN e o Gmail como OUT, numa referência às preocupações crescentes com privacidade em serviços de e-mail gratuitos que monetizam dados dos usuários.
A lista completa do verão 2026 do The Verge está disponível no site do portal, publicada em 3 de julho de 2026. As edições anteriores, de 2024 e 2025, também estão acessíveis para quem quiser comparar como as tendências da equipe mudaram ao longo do tempo.



