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Cultura Pop 5 min04 de jul. de 2026

Chappell Roan: do drive-through ao Grammy em 4 anos

Em 2020, Chappell Roan recebeu a notícia que qualquer artista teme: a Atlantic Records encerrou o contrato com ela. Sem gravadora, sem renda e sem perspectiva imediata, ela fez as malas, deixou Los Angeles e voltou para a casa dos pais no Missouri. Para pagar as contas, trabalhou em um drive-through.

Quatro anos depois, ela estava no palco do Lollapalooza diante de 110 mil pessoas e, em fevereiro de 2025, levou o Grammy de Melhor Artista Revelação.

A cantora que começou na igreja e foi parar em Los Angeles

Chappell Roan cresceu cantando na igreja, como tantas vozes do pop americano antes dela. O salto veio quando começou a postar vídeos no YouTube, por volta de 2017. O alcance foi suficiente para chamar a atenção da Atlantic Records, que a assinou e a levou para Los Angeles.

Com 19 anos, ela lançou o EP School Nights. O trabalho tinha uma sonoridade bem diferente do que ela viria a construir depois, e o desempenho comercial ficou abaixo do esperado pela gravadora. Em 2020, o contrato foi encerrado.

Ela voltou ao Missouri sem contrato, sem dinheiro e com músicas que ainda não tinham encontrado o público certo.

O produtor de Olivia Rodrigo e o caminho de volta

Mesmo trabalhando no drive-through, Chappell não parou de compor. Ela continuou produzindo músicas de forma independente ao lado do produtor Dan Nigro, o mesmo responsável pelos dois primeiros álbuns de Olivia Rodrigo.

O timing importou. Em 2022, o álbum Sour, de Olivia Rodrigo, era um fenômeno global, e o nome de Dan Nigro circulava com força na indústria. Isso ajudou Chappell a assinar com a Sony naquele mesmo ano para lançar algumas faixas. Ela também abriu shows de Olivia Rodrigo e da cantora FLETCHER, ganhando exposição gradual.

Em outubro de 2022, assinou com o selo de Dan Nigro pela Island Records.

Foi durante esse período que um encontro em Londres mudou a estética dela para sempre. Enquanto se maquiava para um show solo, uma drag chamada Crayola olhou para ela e disse: 'Querida, você é uma Drag Queen.' Chappell conta que algo despertou nela a partir daquele momento, e ela passou a incorporar essa identidade visual de forma cada vez mais intensa.

O álbum que demorou para explodir

Em setembro de 2023, ela finalmente lançou seu álbum de estreia, The Rise and Fall of a Midwest Princess. O disco não estourou imediatamente.

Foi em 2024 que as músicas começaram a circular no TikTok com força, e o interesse acumulado se traduziu em números reais. O álbum chegou ao segundo lugar da Billboard 200 e acumulou 37 semanas no ranking.

Entre os singles, Good Luck, Babe atingiu o quarto lugar na Billboard Hot 100, e Hot To Go chegou à décima quinta posição. Os festivais vieram na sequência. No Governors Ball, em junho de 2024, ela se apresentou vestida de Estátua da Liberdade, em uma entrada teatral que viralizou amplamente. O Coachella veio logo depois.

O VMA 2024 e a noite que virou teatro

O VMA de setembro de 2024 foi o ponto de maior visibilidade do ano. Chappell chegou ao tapete vermelho vestida de Joana d'Arc, performou Good Luck, Babe e venceu o prêmio de Best New Artist, entrando para uma lista que inclui Olivia Rodrigo, Billie Eilish e Eminem.

No discurso de aceitação, ela dedicou a vitória 'à comunidade queer e à comunidade trans que mantêm o pop vivo.'

A noite, porém, não foi só de celebração. No tapete vermelho, um fotógrafo teria gritado com ela de forma agressiva durante as poses. Ela respondeu na hora. Depois, em suas redes sociais, publicou: 'Eu não me importo que abuso, assédio, perseguição, ou seja lá o que for, seja algo normalizado com pessoas famosas, quase famosas ou o que quer que seja. Eu não me importo que seja normal.'

Em outubro de 2024, ela reencontrou o mesmo fotógrafo na pré-estreia do filme da turnê de Olivia Rodrigo e exigiu um pedido de desculpas publicamente, pedindo que ele não repetisse o comportamento com outros artistas.

Números que marcam a virada

A trajetória de Chappell Roan em 2024 pode ser medida em dados concretos:

  • 37 semanas de The Rise and Fall of a Midwest Princess na Billboard 200
  • Quarto lugar de Good Luck, Babe na Billboard Hot 100
  • Décima quinta posição de Hot To Go na mesma lista
  • Prêmio de Best New Artist no VMA 2024
  • Grammy de Melhor Artista Revelação em 2025
  • Indicação ao Grammy 2025 também na categoria Álbum do Ano

Cinco anos antes, ela estava atendendo pedidos em um drive-through no Missouri.

A polêmica que não sai de pauta

Um debate recorrente em torno de Chappell Roan é se ela é ou não uma drag queen. A pergunta surgiu com força depois que ela adotou figurinos elaborados, maquiagem intensa e uma persona de palco que dialoga diretamente com a cultura drag.

A própria cantora alimenta a discussão ao falar abertamente sobre como a identidade drag influencia sua arte, sem necessariamente resolver a questão de forma definitiva para o público.

Além disso, ela já se envolveu em outras polêmicas ligadas a fotos com fãs e mencionou publicamente as dificuldades de lidar com a fama repentina, incluindo falas que sugerem que pode abandonar a carreira a qualquer momento.

Dezembro de 2024 e o que vem a seguir

Ao fechar 2024, Chappell Roan já estava compondo novas músicas e carregava nas costas um dos anos mais intensos da música pop recente, com hits, prêmios, polêmicas e uma história de retomada que poucos conseguiriam roteirizar.

O Grammy de Melhor Artista Revelação, entregue em 2025, foi o ponto final oficial de uma virada que começou no drive-through de uma cidade do Missouri e passou pela amizade com o produtor mais requisitado do pop americano.

Na cerimônia, ela subiu ao palco para receber o prêmio que, quatro anos antes, parecia completamente fora de alcance.

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