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Cultura Pop 6 min04 de jul. de 2026

Stranger Things: A Série que Quase Não Existiu

Vinte 'nãos' antes do primeiro 'sim'. Esse foi o caminho percorrido pelos irmãos Matt e Ross Duffer até a Netflix aceitar o roteiro que se tornaria Stranger Things, estreada em 2016 e hoje considerada a série original de streaming mais assistida da história. O que parecia um projeto impossível de emplacar virou fenômeno global, mas os bastidores guardam histórias tão estranhas quanto os monstros do Mundo Invertido.

O título original e os 20 'nãos' que quase enterraram tudo

Antes de se chamar Stranger Things e se passar em Hawkins, Indiana, a série tinha outro nome e outro endereço. O roteiro original dos irmãos Duffer se chamava Montauk e era ambientado em Long Island, Nova York, com uma atmosfera inspirada no filme Tubarão. A própria Netflix chegou a anunciar o projeto com esse título em 2015, antes da mudança definitiva.

O problema era que nenhuma emissora queria a história. Executivos diziam que a série deveria ser voltada exclusivamente para o público infantil, ou que deveria focar apenas no detetive Hopper, sem entender o apelo de uma narrativa que misturava adultos e crianças. Cerca de 20 rejeições depois, a Netflix apostou no projeto, e o resultado quebrou recordes da plataforma.

A cidade de Hawkins fica na Geórgia, não em Indiana

Hawkins é fictícia, mas tem endereço real: a maior parte das gravações acontece na região metropolitana de Atlanta, na Geórgia. O centro da cidade que aparece na série é, na verdade, o centro de Jackson, GA. Na 4ª temporada, as locações se expandiram para o Novo México e a Califórnia.

Essa escolha tem a ver com incentivos fiscais oferecidos pelo estado da Geórgia para produções audiovisuais, uma prática comum em Hollywood desde os anos 2010.

Steve e Dustin: o bromance que ninguém planejou

A dupla Steve Harrington e Dustin Henderson é uma das mais queridas pelos fãs, mas ela nasceu de um problema de roteiro, não de um plano criativo. Os roteiristas perceberam que Steve estava ficando sem função na trama após o fim de seu arco com Nancy, e que Dustin estava isolado dos demais personagens. A solução foi juntar os dois.

A química entre Joe Keery e Gaten Matarazzo transformou o que seria uma saída emergencial em um dos relacionamentos mais celebrados da série.

Steve quase não chegou a esse ponto. No roteiro piloto original, o personagem era descrito como 'o maior babaca do planeta' e tinha comportamentos que dificilmente o tornariam simpático ao público. O carisma de Joe Keery durante as gravações convenceu os criadores a reescrever o arco do personagem, salvando-o de um destino bem menos glorioso.

Eleven e Steve quase morreram na primeira temporada

O roteiro original da 1ª temporada previa a morte de dois personagens que se tornaram centrais para a série: Eleven e o próprio Steve Harrington. A sobrevivência de ambos foi resultado de ajustes feitos durante o desenvolvimento, impulsionados pelo impacto que os atores causaram nas gravações.

Millie Bobby Brown, que interpreta Eleven, também protagonizou um episódio memorável nos bastidores: ela atrasou as gravações ao aparecer no set coberta de glitter, incompatível com a caracterização da personagem.

Winona Ryder e as luzes de Natal

A cena das luzes de Natal, um dos momentos mais icônicos da primeira temporada, não estava no roteiro original. Winona Ryder, que interpreta Joyce Byers, trouxe ideias que transformaram a personagem. Matt Duffer declarou: 'Não sei se algo disso existiria se Winona tivesse dito não.'

Originalmente, Joyce seria uma personagem menos marcante. A atriz ajudou a moldar a personalidade que o público conhece.

O primeiro papel de Barb rendeu uma indicação ao Emmy

Shannon Purser não tinha nenhum crédito de atuação antes de Stranger Things. O papel de Barb foi sua estreia absoluta na profissão, e esse trabalho lhe rendeu uma indicação ao Emmy em 2017.

Ela revelou que até RuPaul estava torcendo por ela durante a cerimônia. Barb virou cult antes mesmo da indicação, com fãs criando o movimento 'Justice for Barb' nas redes sociais após o destino da personagem na primeira temporada.

O Departamento de Energia dos EUA entrou na brincadeira

O Laboratório Nacional de Hawkins, na série, é vinculado ao Departamento de Energia dos Estados Unidos e serve de cenário para experimentos sombrios. O órgão real decidiu responder às especulações dos fãs com humor: publicou uma nota em seu site afirmando que 'não lida com monstros', mas confirmou que realmente fabrica baterias nucleares para a NASA.

Foi uma das raras vezes em que uma instituição governamental norte-americana participou ativamente da cultura pop gerada por uma série de ficção científica.

Sadie Sink era 'velha demais' para Max

Com 14 anos durante os testes, Sadie Sink foi considerada velha demais para o papel de Max pelos produtores. Ela pediu mais material para demonstrar seu potencial e, após um teste de química com Gaten Matarazzo e Caleb McLaughlin, foi contratada no dia seguinte.

A atriz se tornaria uma das mais elogiadas do elenco, especialmente após a 4ª temporada.

Dacre Montgomery dirigido via Zoom

A cena de Billy na 4ª temporada foi filmada de forma incomum: Dacre Montgomery estava na Austrália durante a pandemia e não podia viajar. O diretor Shawn Levy conduziu a atuação remotamente via Zoom, enquanto a cena de Sadie Sink no cemitério tinha sido gravada nos EUA um ano antes, separada no tempo e no espaço.

A abertura foi inspirada em um nome do terror

A sequência de abertura, com letras neon e sintetizadores, foi inspirada no trabalho de Richard Greenberg, responsável pelas aberturas de Alien, Seven e Matrix. Os irmãos Duffer queriam que a identidade visual da série comunicasse imediatamente o tom de terror e nostalgia dos anos 80.

Vecna e o Freddy Krueger de verdade

O vilão da 4ª temporada mistura referências de Dungeons & Dragons, A Hora do Pesadelo, Hellraiser e IT. Para reforçar a conexão com o terror dos anos 80, o papel de Victor Creel foi entregue a Robert Englund, o ator que interpretou Freddy Krueger na franquia original.

A escolha foi uma homenagem direta ao gênero que inspirou a série desde o roteiro de Montauk.

Nicola Coughlan quase foi a Robin

Antes de se tornar conhecida por Bridgerton, Nicola Coughlan fez teste para o papel de Robin, que acabou sendo de Maya Hawke. Coughlan comentou o resultado sem rodeios: 'Ela foi muito melhor do que eu jamais teria sido.'

Chase Stokes, de Outer Banks, também passou por um teste para Steve Harrington, esqueceu as falas, mas ainda assim impressionou os irmãos Duffer o suficiente para ganhar um papel menor na 1ª temporada.

A série sempre teve data de validade

Os criadores planejaram desde o início que Stranger Things teria quatro ou cinco temporadas. Ross Duffer explicou que chegaria um ponto em que seria inverossímil os personagens continuarem em Hawkins sofrendo tantos traumas: 'Não foi feito para durar sete temporadas.'

Essa decisão contraria a lógica de muitas produções de streaming, que tendem a estender séries populares enquanto houver audiência. O arco narrativo de Hawkins foi concebido com começo, meio e fim desde o roteiro que quase ninguém quis comprar.

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