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Psicologia & Sociedade 4 min04 de jul. de 2026

Pessoas solitárias têm memória pior, mas não decaem mais rápido

Por anos, a solidão na terceira idade foi associada a um risco maior de demência e declínio cognitivo acelerado. Um estudo europeu de longo prazo, no entanto, encontrou um resultado mais nuançado — e, para os próprios pesquisadores, surpreendente.

A pesquisa usou dados do SHARE (Survey of Health, Ageing and Retirement in Europe), um projeto de longa duração iniciado em 2002, e acompanhou 10.217 adultos entre 65 e 94 anos, de 12 países europeus, ao longo de sete anos, entre 2012 e 2019.

Pior no ponto de partida, não na velocidade

Os pesquisadores, liderados por Luis Carlos Venegas-Sanabria, da Universidad del Rosario, na Colômbia, com colaboradores da Espanha e da Suécia, descobriram que pessoas solitárias já começavam o estudo com pontuações mais baixas em testes de memória.

Mas, ao longo dos sete anos de acompanhamento, essas mesmas pessoas perderam memória no mesmo ritmo que os participantes que relatavam pouca ou nenhuma solidão — ou seja, a diferença inicial não cresceu com o tempo.

“Um resultado surpreendente”, segundo o próprio autor

“A descoberta de que a solidão impactou significativamente a memória, mas não a velocidade do declínio da memória ao longo do tempo, foi um resultado surpreendente”, afirmou Venegas-Sanabria sobre os achados, publicados em 14 de abril de 2026 na revista Aging & Mental Health.

Por que essa diferença importa

A solidão já é reconhecida como um problema sério de saúde pública, associada a impactos na expectativa de vida, saúde física e saúde mental. O novo estudo não nega esses riscos, mas sugere que a relação entre solidão e demência pode ser mais complexa do que “ficar sozinho acelera o esquecimento”.

Uma hipótese é que pessoas solitárias já apresentem outros fatores associados a pior desempenho cognitivo desde antes — como menos estimulação social no dia a dia —, mas isso não significa necessariamente que a solidão continue “corroendo” a memória ano após ano de forma mais rápida.

O que isso muda na prática

Para os pesquisadores, o achado reforça a importância de tratar a solidão como uma questão de bem-estar em si mesma, sem depender apenas do argumento de que ela “causa” demência para justificar políticas públicas de conexão social entre idosos.

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