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Psicologia & Sociedade 4 min04 de jul. de 2026

Cientistas descobrem que dois tipos de memória usam o mesmo circuito no cérebro

Durante décadas, a neurociência tratou como certo que o cérebro guarda “lembrar fatos” (como a capital da França) e “lembrar experiências pessoais” (como seu último aniversário) em circuitos separados. Um novo estudo britânico acaba de colocar essa ideia em xeque.

A pesquisa, conduzida por equipes da Universidade de Nottingham e da Universidade de Cambridge e publicada em 3 de fevereiro de 2026 na revista Nature Human Behaviour, descobriu que a memória episódica (eventos vividos) e a memória semântica (fatos gerais) ativam redes cerebrais quase idênticas.

Uma surpresa até para quem assinou a pesquisa

Roni Tibon, professora da Escola de Psicologia de Nottingham que liderou a investigação, admitiu que o resultado não era o esperado: “ficamos muito surpresos com os resultados”, disse, destacando a “considerável sobreposição nas regiões cerebrais envolvidas na recuperação semântica e episódica”.

Como o teste foi montado

Para comparar os dois tipos de memória de forma justa, os pesquisadores recrutaram 40 participantes e criaram tarefas cuidadosamente equivalentes: recordar associações entre marcas e logotipos já conhecidas de antes (memória semântica) e recordar associações aprendidas durante o próprio experimento (memória episódica), tudo dentro de um scanner de ressonância magnética funcional.

Por que a separação antiga fazia sentido

A distinção entre memória episódica e semântica é um dos pilares mais antigos da psicologia cognitiva, útil para explicar, por exemplo, por que algumas pessoas com lesões cerebrais perdem a capacidade de reviver momentos pessoais mas continuam sabendo fatos gerais sobre o mundo.

O novo estudo não nega que essas diferenças existam na experiência subjetiva das pessoas, mas sugere que, em nível de redes cerebrais amplas, a separação é bem menos nítida do que se pensava.

O que isso pode significar para o Alzheimer

Segundo os pesquisadores, entender essa sobreposição pode ajudar a desenvolver intervenções mais precisas para doenças como Alzheimer e outras formas de demência, que afetam a memória de formas complexas e muitas vezes desiguais entre fatos e lembranças pessoais.

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