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Animais 4 min03 de jul. de 2026

13 gaivotas cobertas de óleo: o alerta da Ilha de Man

Treze gaivotas-argênteas foram encontradas cobertas por uma substância alaranjada e pegajosa nas proximidades da Mill Road, em Peel, cidade costeira da Ilha de Man, em 2 de julho de 2026. O cheiro era descrito como 'óleo de peixe', e a organização de resgate Manx Wild Bird Aid alertou que muitas outras aves haviam sido avistadas na mesma condição, sem que fosse possível capturá-las.

O que a substância faz com as aves

O óleo destrói a estrutura das penas das aves marinhas. As penas das gaivotas funcionam como uma barreira impermeável, criando bolsas de ar que isolam o corpo do frio e impedem que a água encharque a plumagem. Quando cobertas por óleo, essa estrutura colapsa.

Ao entrar na água, as aves ficam encharcadas e começam a perder calor rapidamente, desenvolvendo hipotermia. Em casos mais graves, o peso da plumagem encharcada pode fazer com que a ave afunde e se afogue. Segundo a Manx Wild Bird Aid, o óleo mataria a maioria das gaivotas 'mais cedo ou mais tarde'.

Existe ainda um risco indireto: a morte de um dos pais durante a estação de reprodução pode deixar os filhotes sem alimentação, levando-os à morte por inanição.

Um problema que se repete desde 2022

O episódio de julho de 2026 não foi isolado. A Manx Wild Bird Aid informou que casos semelhantes de aves cobertas por óleo na região de Peel têm ocorrido desde 2022. Entre as aves resgatadas no passado na mesma área estava um falcão-peregrino, espécie protegida e muito menos comum do que as gaivotas-argênteas.

A organização usou palavras duras ao comentar a situação: 'Deveríamos ter vergonha de que isso acontece com aves ano após ano e nada é feito.'

A crítica também tocou em um ponto simbólico: a Ilha de Man possui status de biosfera reconhecido pela Unesco, o que implica compromissos com a conservação da biodiversidade local. Para a Manx Wild Bird Aid, a recorrência dos casos 'faz troça do nosso status de biosfera e dá uma impressão terrível da atitude da ilha em relação à vida selvagem'.

A resposta das autoridades

O Departamento de Meio Ambiente, Alimentação e Agricultura da Ilha de Man (conhecido pela sigla Defa) confirmou estar ciente dos relatos e afirmou que investigava a origem da substância. O óleo encontrado nas aves ainda não havia sido identificado publicamente até o momento da divulgação da notícia.

O departamento declarou levar o assunto 'muito a sério' e disse estar 'comprometido em ajudar na prevenção de ocorrências futuras'. Também pediu que moradores que encontrassem aves cobertas de óleo entrassem em contato com o órgão.

As 13 aves capturadas foram encaminhadas para limpeza. Outras, 'parcialmente oleadas', foram avistadas mas não puderam ser resgatadas.

Gaivota-argêntea: uma espécie que já enfrenta pressões

A gaivota-argêntea (Larus argentatus) é uma das aves marinhas mais reconhecíveis da Europa, com suas asas cinza-claras, bico amarelo com ponta vermelha e presença constante em portos e praias. Apesar de sua imagem de ave abundante e resistente, a espécie está classificada como 'quase ameaçada' no Reino Unido, com populações em declínio nas últimas décadas.

Entre os fatores que pressionam a espécie estão a redução de estoques pesqueiros, a perda de locais de nidificação e a poluição costeira. Episódios como o de Peel somam-se a esse quadro.

A Ilha de Man fica no Mar da Irlanda, entre a Grã-Bretanha e a Irlanda, e abriga colônias costeiras de diversas aves marinhas. O status de biosfera da Unesco, concedido à ilha, reconhece justamente a riqueza de seus ecossistemas naturais.

O resgate na prática

Limpar uma ave coberta de óleo é um processo demorado e delicado. Organizações especializadas, como a Manx Wild Bird Aid, utilizam detergentes específicos para dissolver o óleo sem agredir a pele das aves, seguidos de enxágues repetidos com água morna.

Depois da limpeza, as penas precisam se reorganizar naturalmente, o que pode levar dias. Durante esse período, a ave é mantida em ambiente aquecido e recebe alimentação controlada. Só é solta quando volta a apresentar impermeabilidade natural nas penas, testada em tanques rasos antes da soltura.

O processo exige voluntários treinados, equipamentos e tempo. Para organizações menores, como a Manx Wild Bird Aid, um episódio com 13 aves representa uma demanda significativa de recursos.

A origem do óleo ainda sem resposta

A substância que contaminou as gaivotas de Peel não havia sido identificada oficialmente até a publicação da reportagem pela BBC, em 2 de julho de 2026. Descrita como laranja, pegajosa e com odor semelhante ao de óleo de peixe, pode indicar descarte irregular de resíduos de processamento de pescado, mas essa hipótese não foi confirmada.

A Defa seguia investigando. Enquanto isso, a Manx Wild Bird Aid permanecia em campo tentando capturar as aves que ainda não haviam sido resgatadas.

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