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Ciência & Universo 4 min03 de jul. de 2026

Europa em chamas: 2.025 mortes extras na França em uma semana

A França registrou 2.025 mortes em excesso entre os dias 22 e 28 de junho de 2026, segundo a agência Public Health France. O número representa um aumento de 29% em relação à semana anterior e foi divulgado enquanto novas ondas de calor já se formavam no horizonte europeu.

O calor não poupou ninguém. Na região de Paris, o aumento de mortes chegou a 62% no mesmo período. O ministério da saúde francês alertou que o número divulgado provavelmente é uma 'subestimativa' e que a mortalidade real 'será, portanto, maior do que esses dados iniciais'.

Paris quase chegou a 41°C em um único dia

Em 24 de junho, a França registrou o dia mais quente da sua história em média nacional. As temperaturas em Paris chegaram a quase 41°C, e metade do país ficou sob alerta vermelho de calor. Não foi um evento localizado: foi um recorde absoluto que cobriu o território inteiro.

A ministra da saúde francesa, Stéphanie Rist, destacou um 'aumento claro' nas mortes entre pessoas com mais de 45 anos. O padrão se repete em outros países da região.

Na Bélgica, o governo registrou 1.222 mortes em excesso durante a onda de calor, um índice 39% acima do usual. O ministério da saúde belga classificou o número de mortes durante o episódio como 'sem precedentes'. Quase metade das vítimas belgas tinha 85 anos ou mais.

Nos Países Baixos, as autoridades contabilizaram cerca de 480 mortes em excesso. As temperaturas chegaram a quase 40°C em partes do país, com a maioria das mortes concentrada no sul e no leste, onde o calor foi mais intenso. A maior parte das vítimas tinha 80 anos ou mais.

O continente que aquece mais rápido do planeta

O serviço climático Copernicus confirma: a Europa está aquecendo duas vezes mais rápido do que a média global. É o continente que mais aquece no mundo.

Esse ritmo acelerado intensifica as ondas de calor no verão, aumenta a pressão sobre os recursos hídricos e alimenta incêndios florestais de maior escala. A onda de 2003, que matou mais de 70.000 pessoas no continente, é considerada o marco histórico que forçou governos europeus a criar planos nacionais de resposta ao calor extremo, com sistemas de alerta precoce, abertura de centros de resfriamento e protocolos específicos para populações vulneráveis.

Os números de 2026 mostram que os efeitos práticos estão se tornando cada vez mais letais.

Enquanto os dados de mortalidade eram divulgados, o ministro do interior francês, Laurent Nuñez, informou que 72 pessoas morreram afogadas desde 18 de junho no país. O calor extremo leva multidões a rios, lagos e praias, nem sempre em condições seguras.

Incêndios, evacuações e novos alertas

O fogo acompanhou o calor. O primeiro-ministro francês Sébastien Lecornu declarou na quinta-feira que quase 7.000 incêndios eclodiram desde o início da temporada de verão, com cerca de 8.700 hectares queimados. A Météo-France emitiu alertas vermelhos para sexta-feira e sábado nas regiões sul do país, apontando risco 'muito alto' de novos focos.

Perto de 3.000 pessoas foram evacuadas após um incêndio florestal em Sainte-Marie-la-Mer que se alastrou até Canet-en-Roussillon na quinta-feira.

A previsão para os próximos dias não traz alívio. Temperaturas de até 40°C são esperadas no sul da França, com picos entre 36°C e 37°C em cidades como Bordeaux, Toulouse e Agen. Na Península Ibérica, o serviço meteorológico espanhol Aemet alertou para a possibilidade de nova onda de calor.

Portugal declarou estado de alerta válido até meia-noite de terça-feira. Algumas áreas do país devem ultrapassar 40°C, com temperaturas noturnas acima de 25°C, segundo as autoridades locais. Na Espanha, partes do sudoeste estão sob alerta laranja com previsão de 40°C.

O serviço BBC Weather informou que uma grande área de alta pressão está se formando desde os Açores em direção a Portugal e Espanha. Até o fim de semana, o calor deve avançar sobre a França e o sul da Grã-Bretanha.

Mortes que chegam em silêncio

As mortes em excesso durante ondas de calor raramente aparecem em boletins de emergência. Elas somem em estatísticas semanais, comparadas ao esperado para aquele período do ano. A maioria ocorre em residências, entre idosos que vivem sozinhos, sem ar-condicionado e sem quem perceba a tempo.

Na Bélgica, quase metade das vítimas tinha 85 anos ou mais. Nos Países Baixos, a maioria tinha ao menos 80. Na França, o aumento foi 'claro' entre os maiores de 45, segundo o próprio ministério.

Pessoas idosas regulam a temperatura corporal com menos eficiência, têm menor percepção de sede e frequentemente tomam medicamentos que interferem na resposta ao calor.

A onda de calor de junho de 2026 ainda não terminou de ser contabilizada. O ministério francês já sinalizou que os números iniciais são subestimados, e os dados de outros países ainda estão sendo consolidados. Com novas ondas previstas para os próximos dias, os sistemas de saúde europeus seguem em estado de atenção elevada.

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