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Mistérios & Fenômenos 4 min21 de jun. de 2026

CD Projekt Red quer se redimir com The Witcher 4

O tropeço que abalou um gigante

Era dezembro de 2020 quando a CD Projekt Red lançou Cyberpunk 2077 — um dos jogos mais aguardados da história dos videogames. A expectativa era astronômica: trailers deslumbrantes, anos de hype e uma fanbase global vibrando de empolgação. O que ninguém esperava era o caos que viria a seguir.

O jogo chegou tão cheio de bugs e com desempenho tão precário em consoles de geração anterior — especialmente no PlayStation 4 e Xbox One — que a Sony chegou a retirar o título da PlayStation Store. A CD Projekt Red perdeu bilhões em valor de mercado em questão de dias, e a reputação conquistada com The Witcher 3: Wild Hunt, considerado um dos melhores RPGs de todos os tempos, parecia estar em frangalhos.

Para Michał Nowakowski, co-CEO da CD Projekt Red, aquele momento foi simplesmente 'de partir o coração'. Em declarações recentes, ele admitiu abertamente que o lançamento de Cyberpunk 2077 foi uma das experiências mais dolorosas da história do estúdio — e que a empresa ainda carrega o peso dessa memória.

A longa jornada de reconstrução

O que aconteceu depois, porém, é uma das histórias de redenção mais fascinantes da indústria dos games. A CD Projekt Red não abandonou Cyberpunk 2077. Pelo contrário: durante anos, a equipe trabalhou incansavelmente para corrigir bugs, melhorar o desempenho, adicionar conteúdo e reformular sistemas inteiros do jogo.

O resultado foi surpreendente. Com a expansão Phantom Liberty, lançada em 2023, e a atualização 2.0, Cyberpunk 2077 ressurgiu como um jogo completamente diferente — e muito melhor. A série animada Edgerunners na Netflix também ajudou a renovar o interesse pelo universo do jogo, atraindo novos jogadores que nunca tinham dado uma chance ao título.

O número de jogadores ativos voltou a crescer de forma expressiva, e a crítica especializada passou a reconhecer o jogo como uma experiência genuinamente rica e imersiva. Foi uma virada de chave impressionante.

The Witcher 4: a grande aposta da redenção

Agora, os olhos do mundo gamer estão voltados para The Witcher 4. O co-CEO Michał Nowakowski declarou publicamente que espera que o novo título seja capaz de reconquistar os jogadores que se sentiram traídos pelo lançamento de Cyberpunk 2077 — e também aqueles que simplesmente se afastaram do estúdio durante esse período turbulento.

A declaração é significativa porque demonstra que a CD Projekt Red tem consciência do estrago causado. Não é apenas uma questão de negócios: há um componente emocional genuíno na forma como o estúdio enxerga sua relação com a comunidade de jogadores.

The Witcher 4 promete trazer uma nova protagonista: Ciri, a personagem querida pelos fãs da saga de Andrzej Sapkowski e da trilogia de jogos. Após anos acompanhando Geralt de Rívia, os jogadores agora terão a chance de controlar diretamente a jovem bruxinha — uma mudança que gerou tanto entusiasmo quanto debates acalorados nas comunidades online.

Por que isso importa tanto para os gamers brasileiros?

O Brasil é um dos maiores mercados de games da América Latina, e a CD Projekt Red tem uma base de fãs extremamente fiel por aqui. The Witcher 3 é frequentemente citado por jogadores brasileiros como um dos jogos favoritos de todos os tempos, e Cyberpunk 2077 — apesar da estreia turbulenta — também conquistou uma legião de admiradores após as correções.

A expectativa em torno de The Witcher 4 é enorme no país. Fóruns, grupos de Discord e comunidades no Reddit em português estão repletos de discussões sobre o que o jogo pode oferecer, como será o sistema de combate com Ciri e se o estúdio vai conseguir entregar um produto à altura das expectativas desta vez.

A promessa implícita é clara: desta vez, o jogo só será lançado quando estiver pronto.

Lições aprendidas — ou pelo menos prometidas

Um dos aspectos mais curiosos dessa história toda é o que ela revela sobre a indústria dos games em geral. A pressão por datas de lançamento, a influência dos investidores e a expectativa dos consumidores podem levar estúdios a tomar decisões que prejudicam o produto final — e, consequentemente, a própria reputação da empresa.

A CD Projekt Red pagou um preço alto por isso. Mas também demonstrou que é possível se recuperar, desde que haja comprometimento real com a qualidade e transparência com o público.

The Witcher 4 ainda não tem data de lançamento confirmada, mas já foi suficientemente apresentado para gerar uma das maiores ondas de hype dos últimos anos. O trailer de revelação com Ciri quebrou recordes de visualizações e deixou a comunidade em polvorosa.

Se a CD Projekt Red vai conseguir honrar essa expectativa desta vez, só o tempo dirá. Mas uma coisa é certa: poucos estúdios na história dos games tiveram uma jornada tão dramática — e tão humana — quanto essa.

A redenção, afinal, é um dos temas mais poderosos tanto nos games quanto na vida real.

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