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Ciência & Universo 5 min04 de jul. de 2026

Casa Branca cria conselho científico para estudar OVNIs

Um representante do Escritório do Diretor de Inteligência Nacional procurou o professor Avi Loeb, de Harvard, com uma proposta incomum: ajudar a Casa Branca a investigar fenômenos aéreos não identificados de forma científica. Loeb aceitou na hora. 'Eles me convenceram logo de cara', disse o pesquisador, que também lidera o Galileo Project, iniciativa dedicada à busca de civilizações extraterrestres.

O resultado desse encontro é o UAP Science Advisory Council, grupo recém-criado que tem como missão assessorar os mais altos escalões do governo americano sobre UAPs (do inglês Unidentified Aerial Phenomena, ou fenômenos aéreos não identificados) e publicar seus achados em periódicos científicos revisados por pares.

Por dentro do conselho que une céticos e entusiastas

A composição do grupo chama atenção pela diversidade de perspectivas. Entre os membros está Michael Shermer, fundador da revista Skeptic e um dos céticos mais conhecidos do debate sobre UAPs. Shermer afirma que seu papel será manter os colegas ancorados no consenso científico estabelecido.

'Praticamente todo mundo no comitê é mais aberto à possibilidade de que os UAPs possam representar algo além de fenômenos terrestres comuns', disse Shermer. 'Não apenas alienígenas do espaço, mas bolhas espaço-temporais, seres multidimensionais e viajantes do tempo do futuro distante.'

Ele, porém, não esconde o ceticismo em relação a essas hipóteses. 'Nada disso vai se confirmar, porque é improvável ou impossível pelas leis da física', acrescentou.

Também integra o conselho a psicóloga Jennice Vilhauer, sediada em Los Angeles, e o veterano da Marinha americana Timothy Gallaudet. Cada membro traz uma lente diferente para o mesmo fenômeno.

O dado que revela um problema silencioso

Vilhauer tem uma missão específica: estudar como as pessoas que afirmam ter interagido com UAPs foram afetadas por essas experiências. Os números que ela apresenta são reveladores.

Segundo ela, apenas 5% das pessoas que interagem com fenômenos aéreos não identificados chegam a relatar o que realmente viram. O motivo é o medo do estigma social e profissional, especialmente dentro das Forças Armadas.

'Há uma quantidade enorme de dados sobre o que as pessoas estão relatando, como isso é registrado, o que acontece com elas depois', explicou a psicóloga. 'Como as pessoas estão sendo tratadas, como os clínicos interagem com quem teve contato com UAPs. Isso é um problema enorme agora no ambiente militar.'

Essa barreira de silêncio significa que a maior parte das informações disponíveis pode estar distorcida desde a origem: quem fala é minoria, e quem cala pode ter visto algo relevante.

O conselho não tem orçamento próprio além do reembolso de despesas de viagem para os membros. Ainda assim, a ambição é considerável.

Ciência aberta, mas com uma camada secreta

A principal responsabilidade do grupo é reportar seus achados ao Escritório do Diretor de Inteligência Nacional e a um conselho composto por representantes do Pentágono, da Casa Branca, do FBI e de outras agências de inteligência. A identidade dos membros desse conselho supervisor, porém, é mantida em sigilo.

'Alguns deles são funcionários do governo que fazem trabalho classificado, então não querem ser expostos', explicou Loeb. 'Só o conselho científico é aberto ao público.'

O próprio Shermer admite não saber quem compõe esse grupo supervisor. Ele especula que a deputada Anna Paulina Luna, conhecida entusiasta do tema, possa estar entre os membros, mas reconhece que outros integrantes provavelmente têm preocupações mais voltadas à segurança nacional do que à hipótese extraterrestre.

'Se os UAPs representassem uma ameaça à segurança, isso seria do interesse do governo, e é por isso que eles se preocupam', disse Shermer. 'Acho que a maioria das pessoas no governo não acredita que sejam alienígenas.'

Loeb confirmou que o presidente Donald Trump não faz parte do conselho supervisor e que não se reuniu com ele. A formação do grupo ocorre após Trump prometer liberar registros governamentais sobre UAPs ao público, parte dos quais já foi disponibilizada em um site do Pentágono.

Limites e possibilidades do conselho científico

Um ponto fundamental: o UAP Science Advisory Council não terá acesso a material classificado. O trabalho se concentrará em arquivos públicos, incluindo os vídeos e documentos recentemente divulgados pelo Pentágono.

Gallaudet explica que a tarefa concreta será analisar velocidades e padrões de movimento dos UAPs registrados nesse material, tentando compreender melhor a natureza dos fenômenos. 'Nossa função é pesquisar o fenômeno e fazer recomendações para estudos científicos adicionais', disse ele.

Mas Gallaudet também não descartou a possibilidade de descobertas mais amplas. 'Podemos estar aprendendo novos princípios científicos fundamentais ao estudar esses fenômenos', afirmou.

Loeb reforça que o objetivo central é separar o que tem valor científico do ruído que domina o debate público. 'Há tantas afirmações não comprovadas no domínio público, que não são científicas e não vale a pena perseguir. Estou dizendo que pode haver alguns diamantes brutos que encontraremos muito úteis para a ciência.'

O conselho planeja lançar em breve um site próprio para publicar seus achados de forma acessível, enquanto busca também espaço em periódicos científicos revisados por pares. 'Isso deveria fazer parte da deliberação científica', disse Loeb.

Na semana passada, Loeb e outros membros do conselho participaram do Disclosure Forum, evento realizado no prédio do Senado americano em Washington, que reuniu congressistas e debateu as implicações de segurança nacional, econômicas, religiosas e sociais de uma eventual confirmação de que UAPs têm origem alienígena ou até extradimensional. O senador Mike Rounds elogiou a transparência do governo Trump sobre o tema, mas admitiu não saber se o conselho irá colaborar formalmente com o Legislativo.

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